Romerito está cravado na história do Fluminense de tal forma que o tempo nem ousa tentar tirá-lo. Da mesma forma, o Tricolor ocupa por completo o coração do paraguaio. Herói do maior título da história do clube, o Campeonato Brasileiro de 1984, o ex-meio-campista esteve nas Laranjeiras na manhã deste sábado para matar saudades. Encontrou um cenário bem diferente daquele que presenciou na última temporada, quando acompanhou, e sofreu, com a saga do time para escapar do rebaixamento para a Série B.
Saudade boa e sofrimento bom. Ano passado, foi um sofrimento ruim e quase destruiu meu coração. Este ano, o sofrimento é porque brigamos pela liderança e pelo título brasileiro. Estava na Alemanha com o (Franz) Beckenbauer (maior nome do futebol alemão) para o jogo das lendas e ele mandou um abraço para os tricolores. Ele disse que sempre teve muito carinho pelo Fluminense por influência de Carlos Alberto Torres. Cheguei a tempo de ver a vitória sobre o Atlético-MG, foi um bom jogo e ganhamos de 5 a 1. Estou muito feliz pelo que está acontecendo com o Fluminense. Tomara que conquistemos mais um Brasileiro, que é a competição mais difícil do mundo. Mas o Fluminense tem time e técnico – disse.
Com a autoridade de ídolo que lhe cabe, Romerito tratou de dar um puxão de orelhas na torcida tricolor. “Dom Romero” não aprova o afastamento dos torcedores. Com o fechamento do Maracanã para as obras da Copa do Mundo, o Flu tem mandado seus jogos no Engenhão, mas sente a falta de apoio. A média de público da equipe tem sido muito baixa no estádio.
- É preciso que a torcida compareça mais. Precisamos da torcida, que salvou o Fluminense da Série B no ano passado. Precisamos dela para sermos campeões. A torcida precisa ter consciência de que o Fluminense jogará no Engenhão. Tem de lotar como se fosse o Maracanã – convocou.
Grande nome da seleção paraguaia na Copa do Mundo de 86, Romerito é fã de Conca e Deco. Para ele, o plantel atual tem todas as condições de repetir o feito de 84.
- Conca e Deco são grandes jogadores, melhores do que eu. A única vantagem que tenho é que fui campeão brasileiro e fiz o gol do título. Tomara que eles façam o mesmo. Deco é mundialmente conhecido, é meu ídolo, gosto muito do futebol dele. Estou feliz pelo futebol que o Conca tem jogado, pois ele é uma referência para a equipe. É diferente o Fluminense de hoje e o de 84. É uma época diferente, dinheiro diferente, amor ao clube diferente. Nosso grupo era muito unido e ficou muito tempo aqui. Vivíamos juntos, treinávamos em Xerém, dormíamos no ônibus. A torcida acompanhava e isso era muito bom. O lado financeiro conta um pouco mais hoje por tudo que acontece futebol mundial. Mas é importante que os jogadores saibam que o Fluminense tem a melhor torcida do Brasil. Este clube é a maior satisfação da minha vida. Foi o único clube brasileiro que joguei e por isso meu coração é tricolor – declarou-se.
Sobre a disputa do título do Brasileirão, prevê uma concorrência acirrada até o fim.
- Chegarão seis na disputa pelo título, os seis que estão na frente (Corinthians, Flu, Cruzeiro, Botafogo, Inter e Atlético-PR). O Fluminense tem time, mas há outros bem preparados. Se Fred e Emerson voltarem, chegará com muita força na reta final. Tem jogadores que chamam a responsabilidade, como o Deco, que não se esconde. Fred também gosta de fazer a diferença. O goleiro e defesa precisam de mais concentração. O Conca é quem empolga a torcida - destacou.
Romerito brinca com a possibilidade de outro estrangeiro ser decisivo numa disputa de título brasileiro, 26 anos depois.
- Tomara que o Conca viva essa mesma alegria. Gostaria mesmo que fosse outro paraguaio, mas como não dá, pode ser o Conca, que hoje é mais brasileiro do que argentino, assim como eu – frisou.
Neste domingo, o Fluminense enfrenta o Vitória, em Salvador, pela 25ª rodada do Brasileirão. O Tricolor é vice-líder, com 45 pontos, dois a menos que o Corinthians.

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