segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A década perdida nos anos 90

A Década Perdida (1990 a 1999)
(texto extraído de www.canalfluminense.com.br)
A década de "90" seria a mais sofrida da história do Fluminense Football Club. Depois de tantos títulos conquistados nas décadas de 70 e 80, o clube iniciaria uma derrocada recheada de fracassos e poucas conquistas.
De 1990 a 1993, o Fluminense disputou várias finais e não venceu nenhuma. Em 1990, o Flu venceu a Taça Rio, mas não foi às finais contra o Botafogo por ter perdido para o Vasco por 1 a 0. No ano seguinte, contando com os gols do artilheiro Ézio, o Fluminense conquistou a Taça Guanabara, mas perdeu o campeonato para o Flamengo na final por 4 x 2, após ter empatado o primeiro jogo em 1 x 1. No Campeonato Brasileiro, o Fluminense foi eliminado nas semifinais pelo emergente Bragantino de Carlos Alberto Parreira, ficando em 3º lugar.
Em sua primeira participação na Copa do Brasil (1992), o Fluminense chegou às finais contra o Internacional, mas foi prejudicado pela arbitragem de José Aparecido de Oliveira, que no segundo jogo da final, em Porto Alegre, marcou escandaloso pênalti a favor da equipe colorada. O Fluminense jogava pelo empate para ser campeão, já que havia ganhado o primeiro jogo por 2 x 1 nas Laranjeiras (gols de Ézio e Vagner), e entrou em campo com um esquema bastante defensivo para segurar o resultado. O time treinado pelo técnico Sérgio Cosme se defendeu a partida inteira, até que aos 43 minutos do segundo tempo, um dos atacantes do Internacional, tentando enganar a arbitragem, se atirou dentro da grande área sem que ninguém o tivesse tocado. O árbitro Aparecido de Oliveira, de maneira equivocada, marcou pênalti. Célio Silva bateu no meio do gol e o Internacional sagrou-se campeão da Copa do Brasil. A revolta pela perda do título foi tão grande, que na volta para o Rio de Janeiro, a delegação do Fluminense expulsou José Aparecido de Oliveira do avião, obrigando o árbitro a pegar outro vôo para retornar para casa.
No Campeonato Carioca de 1992, embora tenha tido "Super Ézio" como o artilheiro máximo da competição com 15 gols, o Fluminense ficou apenas em 4º lugar. Posição sofrível que também teve no Brasileirão, quando terminou em 14º lugar.
O péssimo desempenho obtido no Campeonato Brasileiro de 1992 foi repetido em 1993 quando o clube ficou na 28ª posição. Embora tenha chegado às finais do Campeonato Carioca, ganhando inclusive a Taça Guanabara, o Fluminense tinha um time bem abaixo das suas tradições. Aliás, foi uma característica marcante nos times da década de "90" do clube a falta de vontade e ambição para conquistar títulos, tanto que a própria torcida reconhecia isso, apelidando-os de "timinho".
Em 1994, o presidente Arnaldo Santiago investiu em reforços para acabar com o jejum de títulos que já durava oito anos. Do futebol francês, o clube trouxe o meia Luís Henrique e repatriou o lateral-esquerdo Branco, ambos da Seleção Brasileira; do futebol espanhol, chegou Mário Tilico, que já havia atuado no São Paulo e no Cruzeiro; e de outros clubes brasileiros chegaram o zagueiro Luís Eduardo (ex-Grêmio e Palmeiras), o meia Luís Antônio (ex-Flamengo) e o goleiro Ricardo Cruz (ex-Botafogo). Para o comando técnico, Carlos Alberto Torres foi contratado.
Ricardo Cruz, Júlio César, Luis Fernando, Luis Eduardo e Branco; Jandir, Rogerinho, Luis Antônio e Luis Henrique; Ézio e Mário Tilico.
O Fluminense disputou onze jogos na primeira fase do Campeonato Carioca (Taça Guanabara) e perdeu apenas um. Foi um ano de grandes clássicos, grandes vitórias e que mesmo não sendo campeão – o Vasco tinha um time melhor – o Fluminense presenteou a sua torcida com vitórias espetaculares sobre Flamengo (4 x 2 e 2 x 0) e uma impiedosa goleada sobre o Botafogo (7 x 1). Nas decisões contra o Vasco, porém, o time não apresentou bom futebol, não foi competente e acabou perdendo os títulos da Taça Guanabara (4 x 1) e do Campeonato Carioca (2 x 0). No campeonato brasileiro, com um time muito jovem, o Fluminense ficou na 15ª posição.
Para o Campeonato Carioca de 1995, além da contratação de Joel Santana para o comando da equipe, o clube investiu nas contratações do meia Aílton, que estava no Japão e no atacante Renato Gaúcho, que estava apagado no Atlético-MG. Outros atletas, menos conhecidos do futebol, que estavam atuando no futebol nordestino e paranaense também foram contratados, formando um time de "operários" que acabaria com o jejum de 9 anos sem títulos do clube. Com Wellerson, Ronald, Lima, Sorlei e Lira; Márcio Costa, Djair, Ailton e Luiz Henrique; Renato Gaúcho e Ézio, o Fluminense começou a campanha pelo título estadual de 1995. Logo na primeira rodada, porém, uma derrota por 1 x 0 para o Madureira, num sábado à tarde em Conselheiro Galvão colocaria em dúvida o verdadeiro potencial daquele elenco. Tanto que, na partida seguinte, nas Laranjeiras, quando o Tricolor triunfou sobre o Americano por 4 x 1, uma faixa chamou a atenção dos jogadores com os dizeres "1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9… até quando?". O clube terminaria os dois turnos somando apenas duas derrotas (para Madureira e Volta Redonda) e chegaria ao octogonal final motivado para brigar pelo título do campeonato. Mas foi depois de uma derrota para o Botafogo por 1 x 0 (gol de Beto, de bico), que o Fluminense se agigantou no campeonato. O time conseguiu vencer Vasco e Flamengo com viradas sensacionais. Contra o Vasco, Leonardo entrou no segundo tempo, marcou dois gols e se firmou na equipe, colocando o ídolo Ézio na reserva. Já contra o Flamengo, foi a vez de Rogerinho brilhar, marcar dois gols e tirar a vaga de Luiz Henrique, na vitória por 4 x 3 sobre o rubro-negro.
O Fluminense chegaria à última rodada precisando de uma vitória sobre o Flamengo para ser campeão estadual pela 28ª vez. Não fosse o impedimento mal marcado na partida contra o Vasco pelo returno, na qual o árbitro anulou um gol legítimo de Renato, o Fluminense chegaria em igualdade de condições com o rubro-negro para a grande decisão.
Era o ano do centenário do Flamengo. A equipe da Gávea havia contratado Romário, o melhor jogador brasileiro da atualidade; o técnico Wanderley Luxemburgo, bi-campeão brasileiro com o Palmeiras; e o ex-tricolor Branco, campeão do mundo pela Seleção Brasileira em 1994.

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